{"id":3807,"date":"2013-01-16T14:51:38","date_gmt":"2013-01-16T17:51:38","guid":{"rendered":"http:\/\/gtella.test\/?p=3807"},"modified":"2023-05-04T07:14:42","modified_gmt":"2023-05-04T10:14:42","slug":"uma-rachadura-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/in-focus\/crack-en-la-ciudad\/","title":{"rendered":"Un crack en la ciudad"},"content":{"rendered":"<p>O processo crescente de dispers\u00e3o e de fragmenta\u00e7\u00e3o territorial a que assistem as metr\u00f3poles, ante ao progressivo desvanecimento da tradicional \u201ccidade compacta\u201d, conduz a uma fratura das tradicionais tend\u00eancias de crescimento das cidades. O esvaziamento das\u00a0urbes consolidadas<!--more-->, a descentraliza\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento dos sistemas de infraestrutura vi\u00e1ria, o aumento da mobilidade urbana\u00a0e o incremento da ocupa\u00e7\u00e3o do solo incidem no surgimento de pe\u00e7as urbanas como ilhas aut\u00f4nomas, em justaposi\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia com bolsas de marginalidade, vazios urbanos e pobreza.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do tempo, numerosos estudos centrados na quest\u00e3o urbana identificaram a cidade em rela\u00e7\u00e3o com a hierarquia de fun\u00e7\u00f5es e de equipamentos existentes sobre um territ\u00f3rio. A trilha tra\u00e7ada permite direcionar a aten\u00e7\u00e3o nos fen\u00f4menos de apropria\u00e7\u00e3o<br \/>\nde centralidade territoriais.<\/p>\n<p>No marco do capitalismo industrial (fordista), a meados do s\u00e9culo XX se consolidou a \u201cmetr\u00f3pole moderna\u201d, com uma estrutura hier\u00e1rquica de rela\u00e7\u00f5es funcionais e sociais. No processo de crescimento, a cidade invadia o espa\u00e7o rural circundante, dando lugar a uma expans\u00e3o urbana cont\u00ednua, com uma clara distin\u00e7\u00e3o entre campo e cidade. Os n\u00facleos centrais, de alta densidade, eram habitados pela burguesia, e os limites urbanos, como \u201cperiferias-dormit\u00f3rio\u201d, habitados\u00a0pelo<br \/>\nproletariado industrial.<\/p>\n<p>Dado que o centro decidia e controlava os destinos da periferia, era a ind\u00fastria e a resid\u00eancia dos setores sociais baixos os que se moviam para os sub\u00farbios e consolidavam um crescimento relativamente compacto. Com o qual, a cidade tradicional, embora oferecesse uma distin\u00e7\u00e3o entre a paisagem urbana e a paisagem rural, apresentava uma forte depend\u00eancia econ\u00f4mica, social e cultural do campo.<\/p>\n<p>Desta perspectiva, a periferia foi entendida como o \u201cn\u00e3o-centro\u201d, e constitu\u00eda aquela parte da cidade que rodeava o n\u00facleo consolidado. Carente de estrutura funcional aut\u00f4noma, de atributos de centralidade, de identidade e de sentido de pertencimento, era o lugar onde se habitava por necessidade, com baixa densidade e homog\u00eanea composi\u00e7\u00e3o social. (cfr. Bozzano, 1999).<\/p>\n<p>Contudo, em tempos de capitalismo avan\u00e7ado (p\u00f3s fordista), o progressivo desvanecimento da tradicional \u201ccidade compacta\u201d evidenciado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, cada vez mais dispersa e fragmentada, constituiu um tema recorrente no estudos urbanos, que come\u00e7aram a manifestar as limita\u00e7\u00f5es dos conceitos de \u201ccentro\u201d e de \u201cperiferia\u201d para explicar a realidade urbana que neles se observa. (Soja, 1996).<\/p>\n<p>Em tempos da super modernidade, de super abund\u00e2ncia de acontecimentos e de individualiza\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias, os componentes se adicionam sem destru\u00edrem-se; contexto que emergem os n\u00e3o-lugares como espa\u00e7os an\u00f4nimos de conflu\u00eancia. O lugar \u00e9 considerado por M. Aug\u00e9 (2000) como o espa\u00e7o do encontro entre uns e outros, onde se expressam a identidade, a rela\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria, e o n\u00e3o-lugar como o espa\u00e7o onde nada disso sucede. A oposi\u00e7\u00e3o entre lugar e n\u00e3o-lugar evidencia o desaparecimento da fronteira entre o privado e o p\u00fablico, e o surgimento de \u201cespa\u00e7os de consumo\u201d, de car\u00e1ter n\u00e3o identific\u00e1vel, onde a hist\u00f3ria \u00e9 transformada em elemento<br \/>\nde espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3809\" title=\"Un crack en la ciudad 01a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-01a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-01a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-01a-300x171.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Como definir o fen\u00f4meno atual<\/strong><\/h2>\n<p>N\u00e3o se trata de um processo de urbaniza\u00e7\u00e3o porque a cidade n\u00e3o cresce em \u201c<em>mancha<\/em>\u201d, por expans\u00e3o cont\u00ednua e com concentra\u00e7\u00e3o em um n\u00facleo central. T\u00e3o pouco \u00e9 uma suburbaniza\u00e7\u00e3o devido a que n\u00e3o se observa um crescimento urbano em an\u00e9is compactos em torno a cidade central. N\u00e3o s\u00e3o suficientemente explicativas as tend\u00eancias de periurbaniza\u00e7\u00e3o, que oferecem uma integra\u00e7\u00e3o a din\u00e2mica metropolitana dos antigos n\u00facleos rurais. Por outro lado, a difus\u00e3o das atividades urbanas nos espa\u00e7os rurais, entendidas<br \/>\nem termos de Dematteis (1998) como rural-<br \/>\nurbaniza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m parecem<br \/>\npouco abrangentes.<\/p>\n<p>Finalmente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de efeitos associados a fases culminantes do \u201cciclo vital\u201d da cidade \u2013 como apontam P. Hall e D. Hay (1980) \u2013 a partir de processos de desurbaniza\u00e7\u00e3o, como declive demogr\u00e1fico, ou de contraurbaniza\u00e7\u00e3o, como recupera\u00e7\u00e3o do n\u00facleo central. Este ciclo urbano, em mudan\u00e7a, parecia corresponder com aquele que G. Dupuy (1991) denomina como os \u201cnovos territ\u00f3rios do autom\u00f3vil\u201d, no contexto de um processo de dispers\u00e3o suburbana conhecido como\u00a0<em>urban sprawl<\/em>, que tende a dispersar a popula\u00e7\u00e3o e a concentrar atividades de modo de exurbaniza\u00e7\u00e3o o\u00a0<em>edge cities<\/em>. (cfr. Garreau 1992).<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, na nova realidade urbana, a crescente mobilidade pendular, a expans\u00e3o e complexidade de usos, a multiplica\u00e7\u00e3o de redes e fluxos, e a dissolu\u00e7\u00e3o de unidades territoriais convencionais atentam contra a capacidade explicativa das tradicionais defini\u00e7\u00f5es sustentadas em limiares de densidade e deslocamentos. A descentraliza\u00e7\u00e3o do terci\u00e1rio, o esvaziamento das \u00e1reas consolidadas, o aumento da mobilidade intra-urbana e o exponencial incremento da ocupa\u00e7\u00e3o do solo se encontram na base de um processo de dispers\u00e3o perif\u00e9rica, onde convivem bolsas de marginalidade com centros de neg\u00f3cios, de modo de pe\u00e7as aut\u00f4nomas que se justap\u00f5em<br \/>\nem forma descont\u00ednua entre<br \/>\nterrenos baldios.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio levantado da conta de um processo espec\u00edfico de transforma\u00e7\u00f5es urbanas que n\u00e3o pode ser descrito como uma simples suburbaniza\u00e7\u00e3o de atividades econ\u00f4micas. Em Buenos Aires presenciamos um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o da centralidade que transforma todos os \u00e2mbitos urbanos e suburbanos. Fun\u00e7\u00f5es comerciais, de escrit\u00f3rios e de entretenimentos mudam de maneira substancial. A l\u00f3gica de localiza\u00e7\u00e3o que caracteriza esta reestrutura\u00e7\u00e3o urbana em grande parte se hospeda aos sistemas de centralidade seculares desta cidade, e gera problemas sociais, funcionais e ambientais espec\u00edficos que se tornam indispens\u00e1veis de se enfrentar.<br \/>\n(Tella, 2001).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3810\" title=\"Un crack en la ciudad 02a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-02a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-02a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-02a-300x236.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Componentes distintivos do sistema<\/strong><\/h2>\n<p>As \u00e1reas centrais da cidade constituem as zonas com maior acessibilidade e as de maior concentra\u00e7\u00e3o e diversidade de atividades; atributos principais para definir um centro. Isto conduz ao natural deslocamento das habita\u00e7\u00f5es dos lugares centrais para as periferias, assim como as zonas de maior densidade frequentemente concentram so eixos principais, e a popula\u00e7\u00e3o com menor renda localiza-se geralmente sobre as \u00e1reas intersticiais ou de<br \/>\nmenor acessibilidade.<\/p>\n<p>Com o qual se produz de maneira cont\u00ednua: uma substitui\u00e7\u00e3o de usos (de rural a urbano, de residencial a comercial), uma diferencia\u00e7\u00e3o espacial (de densidade de povoamento e de concentra\u00e7\u00e3o de atividades) e uma segrega\u00e7\u00e3o territorial (de equipamentos por n\u00edveis socioecon\u00f4micos). Neste marco, o particular caso de Buenos Aires \u00e9 poss\u00edvel reconhecer tr\u00eas componentes distintos do sistema de centralidade: a \u00e1rea central, os subcentros tradicionais e as novas centralidades.<\/p>\n<p><strong>&#8211; \u00c1rea central: <\/strong>A \u00e1rea fundamental da cidade de Buenos aires concentra o maior n\u00famero de viagens e de atividades em um reduzido espa\u00e7o, assim mesmo, podem identificar-se em seu interior espacialidades de forte atra\u00e7\u00e3o, tais como as \u00e1reas de transfer\u00eancia, e de concentra\u00e7\u00f5es diversas (comerciais, pol\u00edticas, banc\u00e1rias, financeiras, institucionais, culturais, recreativas). Entre elas, convive uma trama de atividades e de pr\u00e1ticas sociais que articulam ambas espacialidades. (Bozzano, 1999).<\/p>\n<p><strong>&#8211; Subcentros tradicionais: <\/strong>Desde a sua chegada, assentados sobre as terras altas, as ferrovias cobriam o territ\u00f3rio com mais de 150 km de vias, que deram origem a mais de 90 por cento dos subcentros atuais. Atrav\u00e9s do tempo, a rede vi\u00e1ria foi acomodando seu tra\u00e7ado nas ferrovias, e o transporte p\u00fablico imprimiu fluidez e continuidade comercial aos<br \/>\ncorredores veiculares.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Novas centralidades:<\/strong> Novas formas de concentra\u00e7\u00e3o e de dispers\u00e3o manifestam a voca\u00e7\u00e3o para uma economia de servi\u00e7os na cidade, que induz a dissemina\u00e7\u00e3o das atividades sobre o territ\u00f3rio, com migra\u00e7\u00e3o de atividades das \u00e1reas centrais para as bordas metropolitanas; conformando aglutinamentos insulares de pequenos fragmentos urbanizados entrela\u00e7ados sobre entornos n\u00e3o urbanos. Esta situa\u00e7\u00e3o manifesta uma rela\u00e7\u00e3o de dicotomia entre processos que tendem a uma maior integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mas, tamb\u00e9m, a uma maior<br \/>\ndispers\u00e3o espacial.<\/p>\n<p>No sistema de centralidades de Buenos Aires se p\u00f5e como manifesto, ent\u00e3o, uma situa\u00e7\u00e3o de forte tens\u00e3o entre a continuidade de algumas tend\u00eancias tradicionais de reprodu\u00e7\u00e3o e a ruptura de outras, ante a emerg\u00eancia de novas l\u00f3gicas de concentra\u00e7\u00e3o de atividades,<br \/>\nde mobilidade intraurbana e de<br \/>\napropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3811\" title=\"Un crack en la ciudad 03a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-03a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"130\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-03a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-03a-300x111.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Os padr\u00f5es territoriais identificados<\/strong><\/h2>\n<p>A partir desta perspectiva, se identificou dez padr\u00f5es territoriais que buscam definir o novo cen\u00e1rio metropolitano de Buenos Aires:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Consolida\u00e7\u00e3o seletiva:<\/strong> A configura\u00e7\u00e3o metropolitana apresenta dois aspectos principais de crescimento e de consolida\u00e7\u00e3o territorial, a partir dos quais a mancha urbana se qualifica, densifica e expande: o predom\u00ednio dos setores centrais sobre os \u00e2mbitos perif\u00e9ricos, e o predom\u00ednio dos eixos principais sobre<br \/>\nos espa\u00e7os intersticiais.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Monocentralidade dominante:<\/strong> A aglomera\u00e7\u00e3o urbana se conforma a partir de uma forte estrutura monoc\u00eantrica, em torno da \u00e1rea de funda\u00e7\u00e3o da cidade, sobre a que conflui um encadeiamento radial de subcentralidades urbanas de diferentes hierarquias, alinhadas sobre a axialidade dos eixos ferrovi\u00e1rios e confirmadas pela conflu\u00eancia de<br \/>\ncorredores veiculares.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Polariza\u00e7\u00e3o urbana:<\/strong> A dissemina\u00e7\u00e3o sobre o territ\u00f3rio de uma s\u00e9rie de novos artefatos urban\u00edsticos, contentores de atividades terci\u00e1rias, produz uma rachadura na cidade atrav\u00e9s da instala\u00e7\u00e3o de uma nova trama de centralidades que polariza a estrutura metropolitana, gera ilhas territoriais e consagra um sistema reticular de mobilidade a partir da l\u00f3gica do autom\u00f3vel particular.<\/p>\n<p><strong> \u00c2mbitos contentores:<\/strong> Enquanto que os centros tradicionais s\u00e3o utilizados pelos setores baixos da sociedade, estruturados a partir da continuidade que oferece o transporte p\u00fablico e da \u201crua\u201d como \u00e2mbito de integra\u00e7\u00e3o, os setores m\u00e9dios e altos se apropriam das novas centralidades, a partir de um espa\u00e7o de car\u00e1ter privado que funciona como suporte coletivo<br \/>\ndas pr\u00e1ticas sociais.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Diferencia\u00e7\u00e3o tipol\u00f3gica:<\/strong> Este processo de aparecimento de ilhas territoriais se manifesta ao menos em tr\u00eas tipologias claramente diferenciadas: (a) sobre uma expans\u00e3o metropolitana, com depend\u00eancia do sistema vi\u00e1rio; (b) sobre uma centralidade consolidada, com apropria\u00e7\u00e3o de sinergias territoriais; e (c) sobre um centro local-residencial, com integra\u00e7\u00e3o<br \/>\na trama urbana.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Tipologias metropolitanas:<\/strong> A insularidade sobre expans\u00e3o metropolitana se comp\u00f5e por artefatos urban\u00edsticos que apresentam \u00e1reas de influ\u00eancia de escala metropolitana; vincula\u00e7\u00f5es diretas com o sistema de tronco de mobilidade veicular; baixa ocupa\u00e7\u00e3o, consolida\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o com o entorno urbano; e uma apropria\u00e7\u00e3o dos atributos de<br \/>\nacessibilidade da zona.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Tipologias urbanas: <\/strong>A insularidade sobre centralidade consolidada aparece composta por artefatos urban\u00edsticos que apresentam \u00e1reas de influ\u00eancia de escala urbana, vincula\u00e7\u00f5es diretas com importantes corredores comerciais, densa concentra\u00e7\u00e3o de atividades terci\u00e1rias do entorno urbano e destacamento ao sistema de centralidade da zona.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Tipologias locais:<\/strong> A insularidades sobre centro local-residencial se conforma por artefatos urban\u00edsticos que apresentam \u00e1reas de influ\u00eancia de escala local, vincula\u00e7\u00f5es diretas com art\u00e9rias comerciais de vizinhan\u00e7a, inser\u00e7\u00e3o em um tecido residencial consolidado com baixa densidade de constru\u00e7\u00e3o e populacional, e integra\u00e7\u00e3o a din\u00e2mica<br \/>\ns\u00f3cio-urbana da zona.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Articula\u00e7\u00e3o sist\u00eamica<\/strong>: Em consequ\u00eancia, convivem na regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires dois sistemas de centralidade: (a) a dos centros tradicionais e (b) a dos novos centros. Ambos sistemas, de relativa autonomia e intera\u00e7\u00e3o conflitiva, se articulam em um n\u00f3 dominante: a \u00e1rea central da cidade, e ele explica o forte car\u00e1ter monoc\u00eantrico que, desde suas origens, esta ainda ostenta. (Tella, 2003).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3812\" title=\"Un crack en la ciudad 04a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-04a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"110\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-04a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-04a-300x94.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o da identidade do p\u00fablico<\/strong><\/h2>\n<p>Este modelo de organiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio metropolitano, marcado por particulares l\u00f3gicas de mobilidade, de fornecimento, de recrea\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o, conduz a um tipo de cidade dispersa e fragmentada, fechada e excludente, e atenta contra os valores da cidade tradicional. Tradicionalmente, a pra\u00e7a era o lugar de abastecimento p\u00fablico, do com\u00e9rcio de alimentos perec\u00edveis. Ao mesmo tempo, constitu\u00eda um dos escassos \u00e2mbitos urbanos em que, al\u00e9m da sua fun\u00e7\u00e3o de abastecimento, se desempenhavam como articuladores sociais, fortalecendo as<br \/>\nrela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Buenos Aires se manifesta um certo paralelismo entre a ubiquidade do mercado como realidade absoluta e o modo em que suas ferramentas globais, a arma\u00e7\u00e3o funcional de uma economia transnacional, se implantam sobre sistemas territoriais pr\u00e9vios. Sem promover uma t\u00e1bula rasa, considerando o espa\u00e7o como uma sorte de \u00e1reas desej\u00e1veis e conex\u00f5es rodovi\u00e1rias eficientes, este modo de operar sobre o territ\u00f3rio busca decompor e desarticular a cidade preexistente, e a<br \/>\nvazia de valores e conte\u00fados.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a profunda que resulta de passar de um sistema aberto e inclusivo, como \u00e9 o tecido tradicional da cidade, a este novo esquema j\u00e1 acompanhado por mudan\u00e7as de conduta do homem urbano. Sucede que, mediante uma nova rede de recintos e conectores, se rompe a interioridade da cidade redefinindo a perman\u00eancia e a figura do cidad\u00e3o. Contrasta neste cen\u00e1rio a fun\u00e7\u00e3o de Estado, outrora gestor do bem p\u00fablico e hoje identificado com o gerenciamento imobili\u00e1rio, com a invers\u00e3o transnacional, direcionando recursos fiscais a obras de melhoramentos de \u00e1reas privilegiadas em detrimento de \u00e1reas com profundas necessidades insatisfeitas.<\/p>\n<p>Buenos Aires mostra nestes tempos como sua subordina\u00e7\u00e3o a novos modelos de cidade e de disciplina social, o da cidade global e o da cidadania de consumo, desarticula o contrato fundacional representado em sua trama indiana. Cruzada por justaposi\u00e7\u00f5es funcionais e ferida por exclus\u00f5es sociais, aquela trama\u00a0que<br \/>\nat\u00e9 n\u00e3o muito tempo funcionava como<br \/>\nintegradora de bairros, humores e<br \/>\nviv\u00eancias distintas, aprece n\u00e3o ser hoje um<br \/>\nespa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o e resulta cheia de<br \/>\nviol\u00eancias e temores.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3813\" title=\"Un crack en la ciudad 05a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-05a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"120\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-05a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-05a-300x103.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Para uma integra\u00e7\u00e3o das insulas<\/strong><\/h2>\n<p>A desarticula\u00e7\u00e3o por desuso do espa\u00e7o p\u00fablico e da rua, o encapsulamento de fun\u00e7\u00f5es de recrea\u00e7\u00e3o em contentores do tipo semi-p\u00fablico e a depend\u00eancia do transporte veicular privado mudam a vida urbana e desativam os ritmos comuns do passeio do bairro onde os vizinhos marcavam uma velocidade t\u00e3o associada a medida do lote. A perda de uma estrutura tradicional como a cidade e a libera\u00e7\u00e3o em formas violentas das fric\u00e7\u00f5es geradas pela conviv\u00eancia social destroem o sentido profundo de habitar. Ao fazer-lo, se perde o marco referencial que guia o comportamento social, e regenerar os la\u00e7os da comunidade torna-<br \/>\nse uma \u00e1rdua tarefa.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar como estes artefatos se convertem em novas pseudo-pra\u00e7as para o espalhamento-consumista dos cidad\u00e3os, que ostentam direito de admiss\u00e3o e perman\u00eancia restringida de p\u00fablico por parte de seus propriet\u00e1rios. Tratando-se de estruturas fundamentalmente centr\u00edpetas, desagregam no exterior mediante a dissolu\u00e7\u00e3o do pedestal<br \/>\ncomercial tradicional.<\/p>\n<p>S\u00f3 a partir da revis\u00e3o dos processos profundos e estruturais que afetam hoje Buenos Aires, tanto em sua dimens\u00e3o conceitual e instituindo como naquela constru\u00edda e institu\u00edda, ser\u00e1 poss\u00edvel delinear respostas. A presen\u00e7a que em distintas escalas geram novas centralidades na cidade, reconhece uma justaposi\u00e7\u00e3o do sistema tradicional de cidade com<br \/>\num novo e dominante.<\/p>\n<p>A partir desta perspectiva, as estrat\u00e9gias poss\u00edveis pareceram ser: potencializar n\u00f3s de concentra\u00e7\u00e3o de atividades de car\u00e1ter social, econ\u00f4mico e cultural; corrigir a distribui\u00e7\u00e3o territorial de equipamentos \u201cde prest\u00edgio\u201d; incorporar as din\u00e2micas locais; favorecer tra\u00e7ados que permitam a permeabilidade e o contato entre partes; definir novas formas de articular o p\u00fablico e o privado, o individual e o coletivo, e configurar um tecido conectivo, cont\u00ednuo e equilibrado.<\/p>\n<p>Dado que este fen\u00f4meno de ruptura nas tend\u00eancias tradicionais de conforma\u00e7\u00e3o de centralidade se encontra atravessando uma fase crucial, se torna indispens\u00e1vel gerar novos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o, avaliar seus efeitos e propor respostas alternativas as l\u00f3gicas de fragmenta\u00e7\u00e3o instaladas<br \/>\nna cidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3814\" title=\"Un crack en la ciudad 06a\" src=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-06a.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-06a.jpg 349w, https:\/\/guillermotella.com\/wp-content\/uploads\/Un-crack-en-la-ciudad-06a-300x223.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Fontes citadas<\/strong><\/h2>\n<p><em>&#8211; Aug\u00e9, Marc. (2000), Los no lugares: Espacios del anonimato. Una antropolog\u00eda de la sobremodernidad. Barcelona: Gedisa Editorial.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Bozzano, Horacio. (1999), Le territoire m\u00e8tropolitaine. En: Les territoires de la restructuration industrielle dans la Region Metropolitaine de Buenos Aires. Universidad de Par\u00eds III-Sorbonne Nouvelle, Tesis Doctoral.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Dematteis, Giuseppe. (1998), \u201cSuburbanizaci\u00f3n y periurbanizaci\u00f3n. Ciudades anglosajonas y ciudades latinas\u201d. En: Francisco Javier Moncl\u00fas Ed.; La ciudad dispersa: Suburbanizaci\u00f3n y nuevas periferias. Centro de Cultura Contempor\u00e1nea de Barcelona; pp. 17-33.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Dupuy, Guy. (1991), Les territoires de l\u00b4automobile. Par\u00eds: Anthropos-Economica.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Garreau, Joel. (1992), Edge City. New York:<br \/>\nAnchor Books.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Hall, Peter y Hay, David. (1980), Growth Centers in the European Urban System. Londres: Heinemann.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Soja, Edward. (1996), Six Discourses on the Postmetropolis. Imagining Cities, Routledge.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Tella, Guillermo. (2001), La modernizaci\u00f3n tard\u00eda de una metr\u00f3polis semiperif\u00e9rica. El caso de Buenos Aires y sus transformaciones socioterritoriales recientes. Madrid, Espa\u00f1a: Revista Urban N\u00ba 6, Departamento de Urban\u00edstica y Ordenaci\u00f3n del Territorio, Escuela T\u00e9cnica Superior de Arquitectura, Universidad Polit\u00e9cnica de Madrid; pp. 61-76.<\/em><br \/>\n<em> &#8211; Tella, Guillermo. (2003), \u201cLa mutaci\u00f3n de enclaves urban\u00edsticos en Buenos Aires\u201d. Guadalajara (M\u00e9xico): Revista Espiral, Estudios sobre Estado y Sociedad, Volumen IX (septiembre-diciembre); Universidad de Guadalajara; Departamento de Geograf\u00eda y Ordenaci\u00f3n Territorial; pp. 211-237.<\/em><\/p>\n<pre> <span style=\"font-family: Consolas, Monaco, 'Courier New', Courier, monospace; font-size: 12px; line-height: 18px;\">\u00a9 Guillermo Tella<\/span><\/pre>\n<address><a style=\"font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 13px; line-height: 19px;\" href=\"http:\/\/www.archdaily.com.br\/59513\/uma-rachadura-na-cidade-rupturas-e-continuidades-buenos-aires-argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #888888;\">Em: Tella, Guillermo. (2012), &#8220;Uma rachadura na cidade: rupturas e continuidades. Buenos Aires, Argentina\u201d. \u00a0 ArchDaily Brazil (Julho 16).<\/span><\/a><\/address>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in Espa\u00f1ol.<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-enfoques"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3807"}],"version-history":[{"count":74,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5777,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3807\/revisions\/5777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/guillermotella.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}